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Unidade 4

Capítulo 7 - Ética Online

Empatia e Cibercidadania na prevenção ao Cyberbullying.

Tema do capítulo: Cyberbullying

Objetivos de Aprendizagem

  1. Compreender o cyberbullying e suas formas de manifestação, distinguindo-o de conflitos ocasionais nas interações digitais cotidianas.
  2. Analisar os impactos da violência virtual para vítimas, agressores e espectadores, exercitando a empatia e a responsabilidade nas redes.
  3. Desenvolver decisões éticas e atitudes práticas que previnam agressões online, promovendo a cidadania e a convivência democrática no ambiente digital.
  4. Conhecer caminhos de prevenção, proteção e denúncia ativa no Brasil, preservando provas e buscando apoio em conformidade com as leis.

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Atividade Inicial · Diagnóstica

Leia e responda livremente às perguntas a seguir.

Pense antes de responder

  1. Você já viu alguém ser zoado em um grupo de mensagens ou jogo online?
  2. Na sua opinião, quando uma brincadeira deixa de ser engraçada e vira cyberbullying?
  3. Imagine que um colega publica uma foto sua sem autorização e outros começam a compartilhar. O que você faria? E como gostaria que seus amigos agissem?
  4. Se um amigo pedir para você compartilhar um meme que humilha um colega, você faria isso?
  5. O que pode acontecer com quem publica, compartilha ou é alvo da postagem?

Navegação com Respeito

Empatia e Cibercidadania contra o Cyberbullying

O que é, afinal, o cyberbullying e por que ele importa?

Você que é estudante do 7º ano sabe que esta é uma fase de descobertas e de um desejo forte de se conectar com os amigos. A vida digital ganha muito peso: as conversas acontecem em grupos de mensagens, jogos online viram pontos de encontro e as redes sociais entram na rotina. Ser um cibercidadão nesse contexto não significa apenas saber mexer em aplicativos, mas saber agir de forma crítica, ética e responsável.

Nesse cenário, o cyberbullying é um dos maiores desafios. Não é uma "brincadeira" sem importância: é uma violência real que usa meios digitais para humilhar, excluir ou expor alguém. Enquanto o bullying presencial termina quando o sinal da escola toca, o digital não tem hora para parar: segue a vítima até dentro de casa, a qualquer momento.

Por trás da distância física e do anonimato, a empatia pode acabar "desligando", porque não vemos o rosto de quem está sendo ferido. Entender como isso funciona é o que protege você e as pessoas ao seu redor.

Box Glossário 2Empatia
É a capacidade de se colocar no lugar do outro e tentar entender o que ele sente. Na internet, onde não vemos o rosto ou a reação imediata das pessoas, a empatia é o maior recurso para combater o cyberbullying. Significa lembrar que atrás de cada tela existe uma pessoa real, com sentimentos reais.

Como o cyberbullying se manifesta no dia a dia digital?

Para identificar o cyberbullying e agir, precisamos reconhecer suas formas, inclusive as menos óbvias. Ele é multifacetado: esconde-se em comportamentos comuns, mas que ferem gravemente a privacidade e a segurança emocional de quem é alvo. Geralmente se manifesta por:

Formas de manifestação do cyberbullying

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Formas de manifestação do cyberbullying
Forma Descrição
Exclusão Exclusão em grupos: Deixar alguém fora de grupos de mensagens ou expulsar de jogos de propósito para isolar o colega. Parece bobagem, mas o impacto do isolamento é real e imediato.
Rumores Disseminação de rumores: Criar ou espalhar boatos e mentiras que mancham a imagem alheia. A desinformação direcionada a alguém é uma forma direta de violência digital.
Exposição Exposição sem consentimento: Postar fotos ou vídeos de colegas sem autorização. Além de cyberbullying, é uma violação de privacidade e traz consequências legais para quem compartilha (e seus responsáveis).
Jogos Ataques em jogos online: Usar bate-papo de voz ou texto para humilhar ou ameaçar jogadores. O ambiente de jogo não é "zona livre" e as regras de respeito valem lá também.

Muitas vezes, esses ataques se misturam a riscos de segurança, como perfis hackeados para espalhar ofensas em nome da vítima. A cultura de um grupo é definida pelo que todos toleram. Assistir a uma agressão sem fazer nada, ou rir e compartilhar, transforma você em "cúmplice passivo" e o grupo normaliza a violência.

Refletir sobre isso deve fazer você perceber que o que acontece na tela deixa marcas na vida da vítima.

Box Glossário 3Multifacetado
É algo que tem muitas "faces", disfarces ou formas diferentes de acontecer.

Quais são as consequências reais de algo que acontece "apenas" na tela?

Muita gente diz: "É só desligar o Wi-Fi". Mas para essa geração, a vida online e a offline estão profundamente entrelaçadas. Uma ofensa que começa na tela repercute na sala de aula, no corredor da escola e na cabeça da vítima muito depois de o celular ser desligado.

Isso tem a ver com o cérebro: aos 12 ou 13 anos, ele ainda está desenvolvendo o controle de impulsos e a gestão emocional. Por isso, uma humilhação pública pode causar ansiedade, isolamento e queda no desempenho escolar de forma intensa.

O ponto mais sério é a permanência do rastro digital. Uma ofensa falada pode ser esquecida, mas no digital tudo pode ser printado e replicado infinitamente, reabrindo a ferida da vítima toda vez que alguém a vê de novo. O que parece um impulso de um segundo pode virar uma marca permanente.

Box Glossário 4Rastro Digital
É o registro permanente de tudo que enviamos ou compartilhamos na internet. Ao contrário de conversas presenciais, conteúdos digitais são copiados e redistribuídos, mesmo que o autor tente apagá-los.

Diante disso, buscar ajuda não é "dedurar", é um ato ético de coragem. Proteger alguém que está sendo prejudicado, incluindo você mesmo, é exercer a cibercidadania de forma concreta.

Como construir uma cultura de respeito e segurança na rede?

Construir um ambiente digital seguro é tarefa de todos, não apenas de quem é vítima ou agressor. A empatia conectada, capacidade de nos colocarmos no lugar do outro mesmo sem ver seu rosto atrás da tela, é a habilidade de um cibercidadão.

Respeitar a privacidade alheia, não postar fotos sem permissão, recusar boatos e não compartilhar conteúdos ofensivos previne conflitos antes mesmo de começarem. Sua postura online é a sua assinatura digital. Caso você presencie ou sofra cyberbullying, siga estas orientações práticas:

O que fazer diante do cyberbullying

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O que fazer diante do cyberbullying
O que fazer Como fazer na prática
Não alimente o conflito Não revide. O agressor quer sua reação para continuar. Responder no calor do momento geralmente piora a situação.
Bloqueie e denuncie Use as ferramentas da própria plataforma de jogo ou rede social. A denúncia ajuda a proteger você e outras pessoas.
Guarde as provas Tire prints de tudo, com data e hora visíveis. No mundo digital, evidências são fundamentais para os adultos agirem.
Fale com um adulto de confiança Pais, professores ou coordenadores sabem como mediar conflitos. Buscar apoio não é "dedurar", é um ato ético de coragem.
Cuide de você mesmo Se o conteúdo estiver machucando, afaste-se da tela. Cuidar da sua saúde mental é a prioridade máxima.

Lembre-se

A lei brasileira protege as vítimas de cyberbullying. O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) garante o direito à privacidade e à proteção de dados, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei 8.069/1990) e o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025) preveem medidas específicas para violações contra menores de 18 anos, inclusive em ambiente digital.

Autoria Conceitual

Antes de analisar os cenários da próxima atividade, registre com suas próprias palavras o que você entendeu sobre cyberbullying e sobre como agir com respeito na rede.

  1. Pesquise em fontes confiáveis. Use um mecanismo de busca e acesse dois sites confiáveis (por exemplo, de organizações de proteção à criança e ao adolescente ou de segurança digital) para encontrar definições de "cyberbullying". Antes de anotar, verifique a credibilidade de cada fonte (autoridade, atualização e objetivo). Registre no caderno a definição encontrada, uma estratégia de proteção que você descobriu e a fonte de cada uma.
  2. Escreva o seu conceito. Com base nas definições pesquisadas e em tudo que você estudou no capítulo, explique com suas próprias palavras o que é o cyberbullying, por que a empatia é o melhor método contra ele e o que uma pessoa pode fazer ao presenciar uma situação dessas. Dica: uma boa explicação costuma unir três ideias: o que é o cyberbullying (violência digital, não "brincadeira"), por que ele machuca (o rastro digital e a falta de empatia atrás da tela) e como agir (não alimentar, bloquear e denunciar, guardar provas e buscar um adulto de confiança). Registre no caderno a sua explicação.

Atividade Ctrl+Ação · O Tribunal Digital

Análise de cenários e tomada de decisão ética

Nesta atividade, você vai analisar cenários reais de convivência digital e decidir qual seria a atitude mais ética, justificando sua escolha. Não há uma única resposta: o que importa é a qualidade do seu raciocínio diante dos conceitos apresentados neste capítulo.

Cenário 1 — O grupo silencioso.

No grupo de mensagens da turma, um colega envia memes zoando a aparência de outro. Os demais mandam emojis de risada. A pessoa alvo está no grupo e vê tudo. Você não participou, mas ficou em silêncio.

Reflita e responda: Você é um cúmplice passivo nesse cenário? O que você poderia fazer sem criar um conflito maior? E se a pessoa zoada fosse você?

Registre no caderno sua decisão e a justificativa.

Cenário 2 — A foto sem permissão.

Uma amiga tirou uma foto sua em um momento embaraçoso no intervalo. Ela achou engraçado e postou em uma rede social sem autorização. Vários colegas curtiram e comentaram, deixando você constrangido.

Reflita e responda: Qual é o nome desse comportamento? Como você reagiria, falaria direto com ela ou envolveria um adulto? E se ela dissesse "é só brincadeira"?

Registre no caderno sua decisão e a justificativa.

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Inteligência Artificial no Cotidiano

A Inteligência Artificial e a Ética na Rede

Você já parou para pensar no impacto que as tecnologias e a Inteligência Artificial (IA) têm na nossa comunicação? No mundo digital, a IA cria recursos incríveis, mas também traz novos desafios para a convivência.

Por um lado, algoritmos podem ser treinados para identificar palavras ofensivas e bloquear ataques online.

Por outro, essas mesmas tecnologias podem ser mal utilizadas para gerar imagens falsas ou espalhar rumores muito rapidamente. A verdadeira inteligência não está na máquina, mas em sabermos agir de forma crítica, ética e responsável no ambiente tecnológico.

Projeto em Equipe

Guardiões da Rede com a IA

Você vai trabalhar em uma equipe de quatro alunos para investigar como a Inteligência Artificial pode ajudar a identificar e combater o cyberbullying, promovendo um ambiente mais seguro. Distribua os seguintes papéis:

Piloto de IA
Responsável por interagir com um assistente virtual inteligente. Faça perguntas assim: "Como os algoritmos conseguem identificar comentários maldosos ou de ódio na internet?" ou "Quais dicas de segurança digital uma IA sugere para nos proteger?"
Investigador-Chefe
Responsável por pesquisar em buscadores tradicionais. Sua missão é procurar artigos e notícias reais sobre como escolas e plataformas digitais estão lidando com o cyberbullying.
Juiz da Verdade
Responsável por cruzar os dados. Você vai comparar as respostas do Piloto de IA com as descobertas do Investigador-Chefe, avaliando criticamente o que faz sentido e o que pode ser aplicado na realidade da turma.
Designer Criativo
Responsável por reunir todas as conclusões do grupo e utilizar uma ferramenta de apresentação para criar um cartaz informativo sobre como a tecnologia pode ser uma aliada na nossa proteção online.

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Finalizando nossa conversa

Chegamos ao fim de mais um capítulo cheio de aprendizados sobre nossa vida online. Compreendemos que o cyberbullying nunca é uma "brincadeira" sem importância, mas uma violência real que usa meios digitais para expor e machucar. Diferente de agressões presenciais, o digital não tem hora para parar e deixa um rastro permanente.

Para transformar esse cenário, a empatia é o nosso maior recurso. Precisamos lembrar que, atrás de toda tela, existe uma pessoa real. Buscar ajuda não é "dedurar", mas um ato de coragem e cibercidadania para proteger quem precisa.

A partir de agora, você tem as ferramentas para agir com respeito, bloquear atitudes inadequadas, guardar provas e, acima de tudo, construir um ambiente online acolhedor para todos.

Vamos reforçar o que aprendemos?

Atividade Desplugada · Sem Telas

Semáforo da Convivência Digital

Chegou o momento de sair das telas e exercitar a nossa tomada de decisão! Nesta atividade, você vai analisar situações do cotidiano digital usando uma sinalização de cores, como um semáforo da convivência.

Objetivo: classificar atitudes do cotidiano digital como perigo (vermelho), alerta (amarelo) ou atitude segura e respeitosa (verde), exercitando a empatia e a tomada de decisão ética.

Materiais: caderno e lápis ou caneta; lápis de cor vermelho, amarelo e verde (opcionais).

Como fazer:

  1. Divida uma página do caderno em três colunas: VERMELHO (perigo), AMARELO (alerta) e VERDE (permitido).
  2. Leia as oito situações a seguir e registre cada uma na coluna que considerar adequada:
    1. Compartilhar um meme que humilha um colega.
    2. Enviar uma mensagem privada de apoio a alguém que foi exposto no grupo.
    3. Postar a foto de um amigo sem pedir autorização.
    4. Rir com emojis de uma "zoação" no grupo da turma.
    5. Guardar prints de uma conversa ofensiva, com data e hora visíveis, antes de pedir ajuda.
    6. Entrar em uma discussão agressiva para "defender" um amigo revidando os insultos.
    7. Bloquear e denunciar um perfil que envia ameaças.
    8. Ficar em silêncio ao ver um colega ser humilhado repetidamente.
  3. Para cada situação classificada como vermelha ou amarela, escreva no caderno uma atitude capaz de transformá-la em verde.

Fechamento: em duplas ou pequenos grupos, comparem as classificações. As diferenças de opinião — principalmente nas situações amarelas — rendem os melhores debates: justifiquem as escolhas usando os conceitos de empatia, rastro digital e cúmplice passivo, e registrem no caderno a conclusão do grupo.

Todos os registros desta atividade são feitos no caderno.

Atividade Plugada

A tecnologia a favor da empatia

Agora vamos usar a tecnologia a nosso favor! Siga o passo a passo para criar materiais que promovam a paz e a empatia na internet:

  1. Pesquise: abra um buscador seguro no seu navegador e pesquise por campanhas de conscientização contra a violência digital.
  2. Selecione: escolha as três dicas ou frases mais impactantes que você encontrou sobre como acolher quem sofre ataques e como não ser um espectador passivo.
  3. Crie: acesse uma plataforma de edição de imagens online e gratuita e crie um card ou cartaz digital atrativo, usando cores e fontes amigáveis, inserindo as três dicas que você escolheu.
  4. Compartilhe: salve sua imagem e compartilhe no ambiente virtual de aprendizagem da escola ou em um espaço seguro orientado pelo seu professor.

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Galeria de Recursos

Para aprofundar ainda mais suas descobertas, preparamos estes materiais complementares:

Dinâmica

Jogo da Empatia

odae.com.br/7d7

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Dinâmica interativa digital ainda em produção; descrição textual alternativa pendente (item 4.3.9).

Infográfico

Raio-X do Cyberbullying

odae.com.br/7i7

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Descrição do infográfico:

Infográfico “Raio-X do cyberbullying: a violência além da tela”, mostrando que cyberbullying é violência real (uso de meios digitais para humilhar, excluir ou ameaçar repetidamente), as quatro faces da agressão digital (exclusão em grupos, ataques em jogos, exposição de fotos sem permissão, boatos), o rastro emocional permanente causado pelo compartilhamento de prints, e um guia de reação: não revidar, bloquear o agressor, denunciar na plataforma e guardar provas com um adulto de confiança.

Podcast

Cyberbullying é a violência sem pausa

odae.com.br/7p7

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Transcrição do podcast:

Palestrante 1: Ok, vamos desvendar isso. Para as gerações passadas, o sinal da escola funcionava como um verdadeiro resgate.

Palestrante 2: Exato. Era um alívio imediato no fim do dia.

Palestrante 1: Um resgate total. Quando o alarme tocava, qualquer intimidação ficava lá nos corredores, a pessoa ia para casa e finalmente respirava. Mas hoje, o nosso mergulho nas pesquisas foca num cenário onde o sinal simplesmente parou de tocar.

Palestrante 2: Pois é. A missão dessa nossa análise sobre o cyberbullying é entender a mecânica dessa violência que, tipo, invade o quarto da pessoa 24 horas por dia.

Palestrante 1: E compreender por que ela deixa marcas tão reais. E, claro, discutir como a gente pode construir uma cultura de respeito.

Palestrante 2: O que é fascinante aqui, se é que podemos usar essa palavra, é como a própria tecnologia atua na nossa psicologia. A tela não só transmite mensagens, ela quase funciona como um interruptor que desliga a empatia.

Palestrante 1: Desliga a empatia. Eu fiquei bem chocada lendo sobre isso.

Palestrante 2: Sim, justamente por causa dessa barreira física, sabe? A distância impede que o agressor veja a microexpressão de dor de quem está sendo ferido.

Palestrante 1: A reação ali no rosto da pessoa.

Palestrante 2: Exatamente. Isso anestesia totalmente a capacidade humana de se colocar no lugar do outro. Eu fico muito impressionado com esse mecanismo.

Palestrante 1: Mas isso me faz questionar os espaços online mais comuns hoje. O chat de jogos online, por exemplo. Eles teriam virado uma espécie de zona franca moderna?

Palestrante 2: Ah, com certeza. Parece terra sem lei.

Palestrante 1: Sim. Parece que as regras básicas de convivência em sociedade são simplesmente suspensas assim que a partida começa.

Palestrante 2: Completamente. A dinâmica social ganha contornos muito agressivos ali dentro. O cyberbullying é extremamente multifacetado, englobando desde a exclusão proposital em grupos...

Palestrante 1: Até a disseminação de boatos e, nossa, exposição de fotos sem consentimento. Tem de tudo.

Palestrante 2: Tudo isso. E o mecanismo central que permite essas coisas é a validação. É o próprio grupo que define o limite do que tolera ali, no momento.

Palestrante 1: Espera, mas e quem só está lendo o chat e, tipo, não digita nenhuma ofensa? Dá para culpar quem prefere ficar em silêncio na dela?

Palestrante 2: Totalmente. Na psicologia desses ambientes digitais, quem apenas assiste, ri ou ignora a agressão acaba se tornando um cúmplice passivo.

Palestrante 1: Caramba. O silêncio valida a ofensa?

Palestrante 2: Isso mesmo. Esse silêncio coletivo funciona como um combustível pro agressor, porque normaliza a violência e contamina o clima de todo aquele círculo social.

Palestrante 1: Olha, aqui é onde a coisa fica realmente interessante nas nossas notas. Tem aquele conselho clássico de adulto que diz, ah, é só desligar o Wi-Fi que o problema acaba.

Palestrante 2: O pior conselho possível hoje em dia.

Palestrante 1: Né? Mas, numa era de vídeos curtos e coisas que somem em 24 horas, a ofensa também não deveria ser esquecida mais rápido? Por que essa dor se prolonga tanto?

Palestrante 2: Essa é a grande armadilha da nossa época. A vida online e offline dessa geração são, tipo, uma coisa só. Não dá para separar mais.

Palestrante 1: Verdade. A identidade deles é híbrida.

Palestrante 2: E, focando no desenvolvimento humano, aos 12 ou 13 anos o cérebro ainda está desenvolvendo o controle de impulsos e a gestão emocional.

Palestrante 1: O que torna eles super vulneráveis.

Palestrante 2: Sim. Uma humilhação pública nessa fase tem um impacto devastador e muito duradouro. A ofensa vira um print perpétuo.

Palestrante 1: Marcando o cérebro com o trauma e a internet com o registro.

Palestrante 2: Nossas fontes trazem um exemplo histórico muito forte sobre essa permanência, que é o caso da Monica Lewinsky, lá em 98.

Palestrante 1: Nossa, sim. Um marco histórico. Ela é meio que a paciente zero do assédio global na internet. Quando a rede ainda estava nascendo, a reputação dela foi destruída numa escala planetária instantânea.

Palestrante 2: É assustador pensar na proporção que isso tomou naquela época.

Palestrante 1: E é impressionante como ela conseguiu subverter essa narrativa. Ela transformou a própria dor na famosa causa antibullying e na palestra O Preço da Vergonha, em 2015.

Palestrante 2: Se a gente conectar isso ao panorama geral, dá para perceber a humanidade frágil que existe por trás de cada caso que viraliza. Atrás de cada meme cruel, vídeo ou boato, tem um ser humano sofrendo danos profundos.

Palestrante 1: Exato. O caso dela materializa de forma muito clara o peso esmagador que o rastro digital tem na vida das pessoas.

Palestrante 2: Sem dúvida. Mostra o impacto real na vida offline.

Palestrante 1: Então, o que tudo isso significa? Na prática, significa que a postura de cada um na rede funciona como uma assinatura digital.

Palestrante 2: Uma assinatura permanente do caráter, eu diria.

Palestrante 1: Perfeito. Mas, conhecendo a gravidade desse rastro digital, como proteger os mais vulneráveis do ponto de vista prático?

Palestrante 2: A defesa começa mudando a percepção. Buscar ajuda exige coragem ética. Não tem nada a ver com aquela ideia infantil de ser dedo-duro.

Palestrante 1: Não é sobre revidar, então?

Palestrante 2: Não. O foco é ter a inteligência de usar as plataformas a favor. Bloquear contas, guardar os prints com data e hora.

Palestrante 1: E, claro, buscar um adulto de confiança e cuidar da saúde mental.

Palestrante 2: Fundamental. E as leis existem e não estão só no papel, tá? O Brasil ampara essas vítimas através do Marco Civil da Internet.

Palestrante 1: Ah, sim. E tem o Estatuto da Criança e do Adolescente também.

Palestrante 2: Sim. São pilares que oferecem ferramentas reais para responsabilização e para remoção de conteúdo.

Palestrante 1: A base legal existe, mas a lei sozinha não resolve a interação de cada minuto na internet, certo?

Palestrante 2: Isso levanta uma questão muito importante, que é a escolha de exercer a empatia conectada todos os dias. A lei pune e ampara, mas quem previne o dano é a cultura.

Palestrante 1: A cultura do respeito, né?

Palestrante 2: Exato. É o exercício constante de respeitar quem está do outro lado da tela, lembrando que existe uma vida real ali, mesmo sem ver os olhos da pessoa.

Palestrante 1: Bom, para resumir nossa análise de hoje, o cyberbullying é uma violência sem botão de pausa. Mas o uso prático dessa empatia conectada e das ferramentas legais cria barreiras reais de proteção.

Palestrante 2: É isso. A tecnologia não precisa ser sinônimo de terra sem lei.

Palestrante 1: E, para fechar, eu deixo um pensamento meio provocativo aqui para quem está acompanhando a gente. Já que os nossos cérebros humanos ainda sofrem tanto para lidar com a velocidade e o imediatismo da tecnologia...

Palestrante 2: Hum, aonde você quer chegar?

Palestrante 1: Será que as plataformas e redes sociais do futuro poderiam ser desenhadas com um atraso obrigatório? Imagine uma pausa forçada de alguns segundos antes de permitirem o envio de qualquer mensagem.

Palestrante 2: Um respiro antes de apertar o enter, né?

Palestrante 1: Exatamente. Talvez essa seja a única forma de forçar uma reflexão e, sei lá, de fazer o sino da escola tocar novamente.

Vídeo

Cyberbullying e respeito

odae.com.br/7v7

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Legenda, audiodescrição e janela de Libras ainda pendentes (item 4.3.9).